| Poesia estimula leitura e escrita na Olimpíada de Língua Portuguesa | Escolas municipais e colégios estaduais de Tibagi estão inscritos no concurso
O poeta Elias José escreveu que "a poesia / é só abrir os olhos e ver / tem tudo a ver / com tudo". E foi com base nesta pequena estrofe que alunos da 4a série A da Escola Municipal Professor Aroldo começaram uma atividade diferente em sala de aula: conhecer o mundo encantado da poesia para depois criar e documentar sua própria obra. Os versos passaram a fazer parte da rotina dos pré-adolescentes, como preferem ser chamados os alunos entre nove e dez anos, desde que a Escola foi inscrita na Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, do Ministério da Educação (MEC).
Todas as escolas municipais e colégios estaduais do município têm turmas inscritas no programa que busca melhoria da qualidade de ensino e aperfeiçoamento da escrita das 4a, 5a, 7a e 8a séries do ensino fundamental e dos 2o e 3o anos do ensino médio. Para os alunos da Escola Aroldo, as rimas têm representado descobertas interessantes e estimulado a criatividade. "Eu gosto das palavras e do jeito de escrever a poesia", demonstra Maria Eduarda Pinheiro da Costa, de dez anos. Ela já se prepara para compor uns versos e inscrever na Olimpíada. "Vou falar sobre Tibagi, sobre os pontos turísticos, da natureza e da minha escola e dos meus amigos, que eu também gosto muito", antecipa a estudante.
A professora Tamara Dantas Alfaro preparou uma aula especial para ensinar como é composto um poema, apresentando versos, estrofes, rima e ritmo poético. "Recebi do MEC um material didático de apoio e procuro seguir as orientações como as oficinas sugeridas", comenta. Tamara inicia a oficina relembrando os primeiros passos do programa que aproxima os alunos da literatura poética brasileira. "Vamos contar o que fizemos no primeiro trabalho?", convida a professora, apontando para um painel ilustrado. Lá está a poesia "O buraco do tatu", de Sérgio Caparelli. Repetindo cada frase, as crianças pontuam o ritmo dos versos e ganham intimidade com o novo universo literário.
"Primeiro cada aluno encapou um caderno de desenhos e decorou com temas da natureza, referência ao poema 'Mico-Estrela'", relata Tamara. Depois, as folhas em branco foram sendo preenchidas com poesias de autores brasileiros e ilustrações que os alunos fazem. "Assim associam a imagem com a linguagem, por isso fizemos o painel".
Aos poucos, as folhas ganham cores e palavras. "A minha preferida é a do tatu", revela Maria Eduarda. E, como poesia tem tudo a ver com tudo, as predileções dos alunos estão invariavelmente ligadas ao meio ambiente e à proposta que a professora coloca escrita no quadro de giz todos os dias: "Vamos tratar o planeta com carinho".
Tamara ainda coloca um CD com áudios de declamações de poesias para inspirar os pequenos poetas enquanto copiam as instruções do quadro. "O objetivo é estimular o hábito da leitura e no final, inscrever vários poemas no concurso", frisa.
Olimpíada
A Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro é a oportunidade de os alunos das escolas públicas de todo o país descobrirem o poder que as palavras têm, segundo a coordenação nacional do programa realizado pelo Ministério da Educação, em parceira com a Fundação Itaú Social e o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC).
Antonio Teixeira, secretário municipal de Educação e Cultura, regista que a partir de uma premiação ofertada pelo MEC, a intenção é estimular o desenvolvimento de competências de escrita. O Ministério fornece subsídios e material de apoio pedagógico (kit de criação de textos) para que os professores realizem oficinas de leitura e escrita com seus alunos. "A proposta inclui a participação de todos os alunos para que sejam beneficiados, mesmo que não sejam selecionados para concorrer", opina.
Dessa forma, o projeto contribui para que escolas e professores revejam os métodos convencionais de ensino de escrita e passem a empregar métodos que mobilizem seus alunos para a produção e aperfeiçoamento de textos. Além disso, identifica, valoriza e divulga textos que mostrem a competência dos alunos da escola pública no uso da Língua Portuguesa.
Premiação
Os 500 alunos semifinalistas e seus professores ganham medalha de bronze e livros. Os 150 alunos finalistas e seus professores ganham medalha de prata e aparelho de som portátil. As 150 escolas finalistas e seus Municípios ganham uma placa comemorativa. Os 15 alunos vencedores e seus professores ganham medalha de ouro, um microcomputador e uma impressora. As 15 escolas vencedoras ganham laboratório de informática com dez microcomputadores, uma impressora e livros para ampliação do acervo da biblioteca. Os 15 Municípios vencedores ganham selo concedido pelo MEC. Participação em atividades de formação e cultura para os semifinalistas Para os professores e alunos: viagem para capitais brasileiras. Para os professores: oficinas para discussão da prática, troca de experiências e atividades culturais. Para os alunos: oficinas de leitura e produção de texto e atividades culturais.
Texto: Emanoelle Wisnievski Imagem: Christian Camargo |
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